quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A influência dos hábitos orais no desenvolvimento da criança

É bastante comum em crianças a presença de hábitos ligados à região da boca, tais como sucção de chupeta, mamadeira, dedo, roer unhas ou colocar objetos. Contudo, eles podem ser prejudiciais à criança. Entenda o problema ....

Em geral esses comportamentos são tolerados ou até incentivados pelos adultos, que os utilizam como forma de acalmar ou entreter a criança, sem muitas vezes se darem conta do que eles significam no desenvolvimento infantil.


É sabido que, no início da vida, a criança tem uma necessidade de sucção, que geralmente é suprida através da alimentação, isto quando a criança é amamentada ou utiliza bicos de mamadeira ortodônticos, com furos apropriados, que estimulam os movimentos musculares da língua, dos lábios e das bochechas e visam aproximar esta movimentação àquela que ocorre quando a criança suga o seio; contudo, mesmo esse tipo de bico deve ser substituído pelo copo tão logo a criança seja capaz de utilizá-lo.


Existem casos, entretanto, em que a criança habitua-se a ter na boca os objetos já citados, e, no caso específico da chupeta, muitas vezes fica somente com ela apoiada sobre a língua, sem sugá-la, o que pode alterar todo o equilíbrio muscular da face, na medida em que deixa a boca freqüentemente aberta e a língua geralmente solta no assoalho da boca. O que pode acontecer?


1- Alteração no tônus muscular das bochechas e no padrão respiratório ( a criança passa a respirar pela boca)

2- Problemas na posição dos dentes ou na arcada dentária

3- Dificuldade na produção dos sons da fala

4- Alterações na forma de mastigar e engolir os alimentos


Abordando a fala, sabemos que, para pronunciar os sons, utilizamos muitos dos órgãos usados na alimentação, tais como lábios, língua, dentes, bochechas. Essas estruturas são preparadas, desde os primeiros dias de vida, para a articulação dos fonemas, através da alimentação e do trabalho muscular realizado através dela. Sendo assim, uma criança que tenha tido um padrão de alimentação adequado, sem “maus hábitos orais” e livre de problemas físicos, mentais, emocionais ou ambientais, tende a ter um bom desenvolvimento da fala.


Contudo, uma criança com alterações nesses aspectos pode desenvolver formas de mastigação alteradas, tais como: mastigar pouco, mastigar de um lado só, amolecer o alimento com a língua em vez de utilizar os dentes para triturá-lo, etc. Assim sendo, os músculos faciais e a musculatura da língua não são exercitados adequadamente e podem não corresponder ao trabalho solicitado na pronúncia da fala.


Muitas vezes, a criança também engole os alimentos e a saliva com posicionamento inadequado da língua, exercendo pressão sobre os dentes, hábito que geralmente não é percebido ou é encarado como passageiro, mas que pode alterar a musculatura e ocasionar, dentre outras alterações, dificuldades na pronúncia da fala, principalmente dos sons que requerem movimentação da ponta da língua, tais como “t”, “d”, “n”, “r” ( da palavra “cara” ou da palavra “trem”), “l”, “s” e “z”.


É possível também que a criança tenha problemas físicos, hereditários, de nascença ou adquiridos durante seu desenvolvimento, que impeçam inclusive a alimentação normal, ou o desenvolvimento da fala. Podem ocorrer também problemas emocionais que façam com que ela mantenha um padrão infantilizado e necessite utilizar objetos buscando uma satisfação oral, ou ainda que viva em um ambiente que estimule sua manutenção mais infantil, estimulando o uso desses objetos.


Perceber essas alterações, buscar suas causas, prevenir ou sanar seus efeitos é importante para o desenvolvimento da criança, pois essas dificuldades, se não trabalhadas, podem acompanhar a pessoa por toda a vida, sendo comuns alterações de fala em adultos, decorrentes de hábitos orais utilizados na infância e que afetam sua relações pessoais e profissionais, já que um bom padrão de fala é algo bastante valorizado, sendo inclusive fator de exclusão do mercado de trabalho em algumas profissões. 


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