sexta-feira, 12 de junho de 2015

O meu filho escreve as letras ao contrário, o que fazer?

Resultado de imagem para escrever ao contrarioPorque as crianças escrevem ao contrário? A aprendizagem da escrita deve-se a vários fatores que envolvem mecanismos motores e cognitivos.

O processo de escrita envolve vários conceitos e competências que a criança vai amadurecendo à medida que cresce e as exercita: a lateralidade (saber distinguir a direita da esquerda e noção espacial), a motricidade fina (capacidade de manipular um lápis, por exemplo), a aprendizagem dos códigos alfabético e numérico, entre outros.

Quando as crianças iniciam a escrita das primeiras palavras ou números, a sensação dos pais é indescritível. É um processo de autonomia, um ritual de passagem que evidencia uma nova etapa na vida da criança.

Ao compor as suas primeiras escritas as crianças mostram-se portadoras de inúmeras experiências, desejos, anseios e dinâmicas particulares de aprendizagem. Vygotsky (1998) destaca que a escrita tem significado para as crianças, desperta nelas uma necessidade intrínseca e uma tarefa necessária e relevante para a vida.

Entretanto, na medida em que esta escrita avança é comum que elas evidenciem letras ou números espelhados... algumas já estão lá por volta dos 7 anos e ainda mantém esta característica e por que será que fazem isso?

Em primeiro lugar é importante ressaltar que espelhar letras e números é normal, pois a criança está em processo de construção da escrita. Para que a criança tenha o entendimento que nós adultos temos de que a escrita inicia da esquerda para a direita (no caso da cultura ocidental), algumas noções anteriores ao papel devem ser bem trabalhadas. A aquisição da escrita é posterior à aquisição da linguagem e posterior a um nível específico de maturidade motora humana.

Conforme Esteban Levin (2002: 161), o ato da escrita em si, não depende somente do ato biológico, mas de toda uma estrutura que provém do sistema nervoso central, [...] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, da sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), da postura (eixo postural), da sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e do seu reconhecimento no referido ato (função imaginária).

De acordo com o manual de neurologia infantil de Diament (2005), a partir dos 7 anos a criança começa a consolidar a noção de direita e esquerda. Da mesma forma, encontra-se em fase de maturação de áreas viso espaciais, portanto é perfeitamente normal apresentar ainda algumas trocas na direção da sua escrita, pois está em processo de aprendizagem, sistematizando as suas hipóteses e consolidando noções importantes em aspectos neurobiológicos.

Porém, alguns alunos espelham palavras e frases inteiras, característica da disgrafia. No entanto, isso não significa que as crianças que espelham letras e números apresentem disgrafia. Se no final do ano, após todas as intervenções pedagógicas terem sido realizadas, com vista à “escrita correta” das palavras, deverá fazer-se uma avaliação mais detalhada.

Dehaene (2012) demonstra que a capacidade de reconhecer as figuras simétricas faz parte das competências essenciais do sistema visual, porque permite o reconhecimento dos objetos independentemente da sua orientação. Por esse motivo quando uma criança aprende a ler tem que “desaprender” a generalização em espelho para que possa compreender a diferença entre as letras “b” e “d”.

A maioria das crianças passa por uma fase de escrita em espelho tendo geralmente ultrapassada esta dificuldade por volta dos 8 anos. Entretanto, cabe ressaltar que algumas das crianças que apresentam escrita espelhada são canhotas.


A identificação de uma imagem na sua forma simétrica, confusão esquerda-direita, também é frequente, no nosso sistema visual (Dehaene 2007).

No entanto, na sala de aula existem professores que consideram "errado" quando os alunos escrevem palavras ou números espelhados. Por isso é necessário esclarecer que, antes de se considerar certo ou errado, é necessário realizar atividades que propiciem a lateralidade.

No processo de alfabetização, pais e professores, devem sempre questionar a criança sobre como poderia melhorar aquilo que fez, procurar fazê-la tomar conhecimento do que fez e como o fez, mas também como deveria fazê-lo.

Numa abordagem neurocientífica Guaresi (2009) enfatiza que:
  • A criança tem que manipular um repertório de habilidades motoras finas e complexas concomitantes com dados sensoriais (conteúdo visual), um processo que envolve muitas funções cerebrais, tais como atençãomemóriapercepção(integração e interpretação de dados sensoriais), entre outras.

  • O processo de aprendizagem da escrita envolve, entre outros aspectos, a integração viso espacial, ou seja, visualizar o que está a ser apresentado, localizar o lápis, acomodá-lo de forma satisfatória na mão, direcioná-lo no caderno e iniciar a sequência de movimentos numa tentativa de escrita.

  • Com o tempo e o reforço das redes sinápticas correspondentes, o processo de aprendizagem da escrita será automático, ou seja, a criança não precisará de monitoramento cerebral constante para executar a tarefa e terá condições para aumentar o nível de complexidade da escrita.

Existem três domínios principais que precisam ser ensinados para que uma pessoa tenha autonomia na escrita: o domínio linguístico, o domínio gráfico e o de conceitos de letra e texto.

A escrita como um sistema organizado manifesta a nossa capacidade de simbolizar. É um processo complexo e a sua aquisição exige o domínio das várias dimensões que o compõe, por exemplo, além da segmentação, as crianças precisam adquirir no domínio gráfico, noções de esquerda para a direita, de cima para baixo.

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Fonte: Mãe me Quer

Estratégias promotoras do desenvolvimento da linguagem da criança

Resultado de imagem para desenvolvimento infantilQual o papel do contexto familiar e da estimulação precoce da criança na aquisição e desenvolvimento da linguagem? 

O desenvolvimento da criança resulta da interação de várias áreas (cognição, desenvolvimento motor, linguagem, socialização, entre outras), tendo por base um conjunto de fatores biológicos, psicológicos e emocionais, assim como um meio propiciador de experiências.

Por sua vez, a família é o contexto imediato da criança, onde decorrem uma série de acontecimentos, interações e aprendizagens que vão influenciar todo o desenvolvimento futuro da criança (Sim-Sim, Silva & Nunes, 2008).

Tendo em consideração a importância de uma estimulação precoce, serão apresentadas um conjunto de estratégias potenciadoras para o desenvolvimento da linguagem da criança nos seus primeiros anos de vida:


A cada faixa etária, a criança depara-se com novos desafios perante o mundo que a rodeia, estando sempre num processo constante de aprendizagem e desenvolvimento, no sentido de dar respostas o mais ajustadas possível nos contextos (Sim-Sim, 1998).

Neste sentido, os pais representam um papel fundamental como primeiros intervenientes na aquisição e desenvolvimento da linguagem do seu filho, tal como referem os autores: “Ao conversar com a criança, o adulto desempenha o papel de “andaime”, interpelando-a, clarificando as suas produções, expandindo os enunciados que a criança produziu e providenciando modelos.” (Sim-Sim, Silva & Nunes, 2008).

Em suma, além de ler e refletir acerca da informação apresentada, o objetivo final apela à prática e ação das estratégias propostas, ajustando-as conforme as necessidades comunicativas da criança e os desafios do meio. Este processo é gradual, progressivo e bidirecional entre pais / criança, onde ambos aprendem e onde aquele que dá, também recebe!

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Fonte: Mãe me Quer

O afeto como motor do desenvolvimento infantil

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Conhecer as principais fases de desenvolvimento infantil e saber com o que se pode contar, conforta os pais e contribui para que se sintam mais confiantes quanto às decisões que tomam enquanto educadores.

Um ambiente familiar afetuoso é fundamental para o harmonioso desenvolvimento da criança, para estimular o diálogo e criar relações de empatia dentro do núcleo familiar e deste para fora. O respeito e o saber ouvir, e sentir, aprende-se em casa, junto dos pais ou de outros elementos que cuidem da criança diariamente.
    Conhecer e compreender a criança, nas suas manifestações mais elementares, contribui, também, para enquadrar as suas atitudes e ações permitindo aos pais e educadores ajustar estratégias para estimular ou corrigir determinados comportamentos. A criança precisa de se sentir amada e encorajada por quem a rodeia para despertar o interesse por explorar o mundo e enfrentar com confiança novas situações.

    A relação afetiva com a criança estabelece-se quando ainda está na barriga. Os pais imaginam como vai ser, com quem se vai parecer, e todas as decisões e planos da família passam a considerar este novo ser que, apesar de tão pequenino, já é o centro do mundo dos pais. Os próprios pontos de referência dos pais podem alterar-se: aproximam-se de amigos com filhos e afastam-se de amigos solteiros ou sem filhos. A futura mamãe tende a aproximar-se e a solicitar o apoio da sua mãe.

    À medida que a data do parto se aproxima, a antecipação de como vai ser o parto e a ansiedade sobre o nascimento aumentam. O bebê imaginado vai tornar-se num bebê real. O pai envolve-se ainda mais no processo de paternidade e o compromisso emocional com o bebê aumenta.

    No momento do nascimento, no preciso momento em que a mãe “dá à luz”, as emoções confundem-se. A alegria extrema mistura-se com sentimentos de insegurança, com dúvidas e angústias. Esta confusão de emoções vai manter-se para toda a vida. É o motor da relação entre pais e filhos.

    Durante o primeiro ano de vida, a relação emocional com o bebê ganha forma e intensifica-se. A qualidade das relações na primeira infância são a base para todo o desenvolvimento da criança enquanto ser humano. São o fundamento para o ser.

    O bebê é um sentimento. Precisa de ajuda para compreender o mundo e as atitudes daqueles que com ele interagem. Precisam da proteção dos pais.

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    Fonte: Mãe me Quer

    Tipos de alterações do desenvolvimento

    Resultado de imagem para desenvolvimento infantilClassicamente são descritos três tipos de alterações de desenvolvimento: o atraso, a dissociação e o desvio. Vamos conhecê-las um pouco mais?

    O atraso de desenvolvimento consiste num desfasamento entre a idade cronológica da criança e a idade correspondente às aquisições demonstradas, que se exprime de um modo mais ou menos uniforme em todas as áreas. 

    Quanto mais grave o atraso de desenvolvimento apresentado mais provável é poder demonstrar uma causa orgânica, ou seja, em que se comprova uma lesão do sistema nervoso central.

    A dissociação refere-se a uma diferença significativa entre as várias áreas do desenvolvimento, com uma área mais gravemente afetada.

    Exemplos típicos são crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, em que, na maioria das vezes, as áreas motoras não estão afetadas ou crianças com paralisia cerebral com atraso significativo nas áreas motoras e desempenho adequado nas restantes.

    O desvio subentende a aquisição não sequencial de competências numa ou mais áreas do desenvolvimento. Esta perda de sequência poderá ter como base alterações neurológicas. 

    Da mesma forma uma criança apresentar uma linguagem expressiva muito superior à compreensão, traduz claramente um desvio. Este fato pode refletir uma utilização não comunicativa da linguagem, característica das perturbações do espectro do autismo.



    Além dos três tipos clássicos acima referidos, existem dois tipos a ter em conta – a paragem e a regressão do desenvolvimento. O primeiro refere-se a ausência da evolução normal das aquisições e o segundo à perda das aquisições já verificadas. São sinais muito preocupantes e frequentemente associam-se a patologia grave do SNC, nomeadamente doenças neurodegenerativas.

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    Fonte: Mãe me Quer

    Desenvolvimento na primeira infância

    Resultado de imagem para desenvolvimento infantilA 1.ª infância é decisiva para a aquisição das bases do desenvolvimento: a importância da estimulação, do incentivo e da experiência precoce.
    Ainda no ventre, por volta das 20 semanas, o bebê já é capaz de reconhecer a voz materna e de responder a estímulos externos. As palmadinhas na barriga, conversa ou música, o bebé poderá responder com um movimento mais brusco ou com um pontapé.

    A estimulação precoce é essencial para incentivar o desenvolvimento neurológico do bebé, cujo cérebro se continuará a expandir até aos 5 anos de idade.

    Ao longo do primeiro ano de vida, o bebé alcança marcos muito importantes.

    A aprendizagem é uma conquista diária que se faz através das brincadeiras, da exploração de todos os sentidos e da aquisição de novas experiências.
    Encoraje e estimule o seu bebê em todas as situações!

    Elogie e festeje com ele cada nova conquista. Incentive e alimente a sua curiosidade com entusiasmo para que cresça de forma saudável e com um espírito aberto ao mundo que o rodeia.

    A primeira infância é uma das fases mais importantes para o desenvolvimento humano e para que nos tornemos adultos funcionais, participativos e responsáveis. É nesta idade que, como tantos outros sistemas no corpo humano, o cérebro - centro de todo o processo de desenvolvimento e aprendizagem - se expande e consolida e está mais receptivo à estimulação e à experimentação.

    O papel fundamental dos pais e educadores, neste processo, é o de cuidar, dar e promover um ambiente propício a que o processo natural de desenvolvimento ocorra positivamente, bem como, assumir a sua função e responsabilidade na contribuição externa neste mesmo processo.
    O bebê progride por etapas cronológicas e sequenciais
    Isto é, vai atingir uma etapa num intervalo de tempo e essa etapa acontece com o suporte de uma que aconteceu anteriormente. Por exemplo, um bebé começa a andar entre os 8 e os 18 meses. Não o faz enquanto a sua capacidade física não o permitir. Caso não o faça até aos 18 meses então poderá haver motivo para perceber as causas.

    Mas atenção, nada de alarmes. Cada bebê tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento. A comparação com outros ritmos de crescimento tem que ser feita com reservas servindo, apenas, como avaliação padrão por forma a detetar possíveis problemas precocemente.

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    Fonte: Site Mãe me Quer